Pelas Veredas Regionalistas

Neste singelo artigo, busco seguir, com certa cronologia, a jornada do regionalismo pela história da literatura brasileira. Seguiremos, desde o século XIX, até as décadas já vividas do século XXI. Então, vamos começar essa viagem pelo coração de nosso país que é a criação regional.

No século positivista, o Romantismo é que vai inaugurar, mais intensamente, o regionalismo brasileiro. No romance regionalista romântico teremos, por exemplo, Franklin Távora com a obra O Cabeleira (1876), Visconde de Taunay com Inocência (1872), Bernardo Guimarães com A escrava Isaura (1875), e por fim, José de Alencar com os romances O sertanejo (1875) e O gaúcho (1870). José de Alencar é de suma importância para o regionalismo literário brasileiro. Ele defendia o regionalismo, como parte fundamental, para a construção de uma identidade nacional. Não podemos esquecer que a estética literária romântica, mesmo com o afã nacionalista, era extremamente eurocêntrica.

Já, entre o final do século XIX e o início do século XX, na manifestação literária pré-modernista, Euclides da Cunha foi o precursor do que os romancistas modernistas da Geração de 30 fariam, décadas depois. Euclides, com o romance Os Sertões (1902), traz uma análise profunda do nordeste, do sertão baiano. Uma análise geológica, climatológica, zoológica, botânica, sociológica e antropológica. Essa visão crítica e reflexiva vai dominar a concepção modernista de arte. Neste sentido, se contrapõe à estética romântica alencarina.

No Modernismo, que vai beber, em alguns pontos, na fonte do Romantismo, vai defender a busca por uma identidade nacional, através do regionalismo, mas, sem a idealização eurocêntrica romântica. A criticidade, a reflexividade, estarão presentes. Todavia, é na Geração de 30 que a estética regionalista irá florescer: A bagaceira (1928) de José Américo de Almeida; Vidas secas (1938) e São Bernardo (1934), Graciliano Ramos; Cacau (1933) e Seara vermelha (1946), Jorge Amado; O quinze (1930), João Miguel (1932) e Memorial de Maria Moura (1992), Rachel de Queiroz; Fogo morto (1943), José Lins do Rego; e o único representante da Geração de 30 que não é do regionalismo nordestino, Erico Verissimo, representando o regionalismo gauchesco, com sua trilogia O tempo e o vento, dividida em O continente (1949), O retrato (1951) e O arquipélago (1961). Vale lembrar que na Geração de 22, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira, também contribuíram com a verve regionalista. Também deram suas contribuições, Carlos Drummond de Andrade (Geração de 30), com sua amada Itabira, na Geração de 45, Guimarães Rosa, com o seu sertão “mágico” e João Cabral de Melo Neto, com seu Rio Capibaribe.

Na Literatura Contemporânea, há a intensificação do que se via na Geração de 30. Notou-se que não há uma única identidade nacional, uma única brasilidade. E sim, brasilidades. Teremos um Manoel de Barros trazendo o inusitado e o inusual às paragens pantaneiras. Um Milton Hatoum, nas veias manauaras. Um Itamar Vieira Junior jogando luz aos recônditos do recôncavo baiano. Uma Lita Maria, entre o Centro-Oeste e o Norte, abrindo a sua alma para que possamos sentir o Sertão que a habita.

Por fim, cabe aqui uma observação: este artigo é uma versão diminuta, “um olhar pela fresta da fechadura”. O intuito foi demonstrar, mesmo que em poucas palavras, um panorama geral da importância do regionalismo literário e da sua história. Talvez, posteriormente, podemos estar aprofundando alguns pontos aqui apenas pincelados. Até a próxima!

Diego Rochac | Escritor membro da ACALANTO.
Cadeira Nº 31, Patrono: Euclides da Cunha

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x